Aprende. Aprende. Aprende que dói menos.
“Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava. Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo... Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu morte para o que nunca nasceu.”

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Tati Bernardi.
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E todas as vezes que eu disse “te amo mais”, eu tinha razão.


  • Amigo: — Cara, você se arrependeu de ter terminado com ela?
  • Ele: — Olha pra mim, você acha que eu me arrependi? Eu saia sexta e só voltava segunda de manhã pra trabalhar. Eu peguei a mãe, a filha, a prima, a tia e só não peguei a vó da vizinha, porque ela tinha hemorroida. Eu tinha cortesia pra entrar nas melhores baladas. Eu esnobei as garotas que todos os homens queriam pegar. Transei de segunda à sábado, e domingo eu via futebol. Detalhe, sem ninguém me chamando pra ir ver a porra do casal feliz no Faustão ou sei lá o que. Me mandavam mensagens o dia todo e se você perguntar se eu li alguma eu vou te dizer que não. Eu podia ver filme pornô, levar a guria que eu quisesse pra minha cama e depois chamar o taxi pra ela ir embora pra eu não precisar gastar gasolina, porque convenhamos, tá cara pra caralho. Eu era o que elas queriam de qualquer jeito. E eu, queria todas de qualquer jeito, mas só um pouquinho cada uma. Chamava todas de bê, pra não errar o nome de nenhuma. E por que diabos elas achavam que isso era fofo? Eu ia pra academia as três das tarde e voltava as oito da noite. Tenho uma coleção de calcinha perdida na última gaveta da minha estante. Eu saia na rua com o som alto no carro e podia escolher a dedo, quero essa, depois essa e mais tarde, essa. Na minha geladeira nunca tinha uma caixa de cerveja, eram no minimo quatro. Eu não devia nada pra ninguém. A única guria que me cobrava alguma coisa, era minha mãe. Me cobrava minha cueca lavada e só. Não tinha que ir no cinema ver as comédias românticas e falar “own amor, eu faria o mesmo por você”. Não tinha que deixar de ir pra balada pra fazer um lanchinho em família. Não precisava me preocupar em horário e olhava pra quem eu queria na rua. Minha casa tinha festa toda quarta. Camisinha aqui tinha do Bob Esponja até das Três espiãs demais. E eu ainda dava de brinde um moranguinho pra cada garota. Meu trampo era sentado na frente do computador. Peguei tua irmã cara. A amiga dela. A Carolzinha filha do Prefeito da cidade. A Jú filha do gerente do banco. Loira, morena, ruiva, que gostava de pagode até a que gostava de gospel. Eu tinha o mundo na minha mão. E você me pergunta se eu me arrependi? Me arrependi caralho. Porque toda essa porra de vida perfeita nesses 4 meses que fiquei sem ela não teve valor nenhum depois que eu vi ela sorrindo de um jeito que nunca sorriu pra mim, pra um outro cara aí. Pra um vagabundo desgraçado que vai fazer ela feliz, porque eu, eu não fiz ela feliz e ainda mandei a melhor coisa que eu tinha na vida me esquecer. E sabe o que é pior? Ela me obedeceu.

Em um bar, com um amigo.

Estais vendo aquela linda moça que está ali sentada naquela mesa com algumas amigas? Já foi minha; toda minha. Agora… Bem, ela pode ser de qualquer um. Deixei-a chorando sentada na calçada e fui embora com outra garota, uma mais gostosa do que ela. Porque, pense bem, ela não queria me dar o que eu queria. Só aquelas coisas melosas de garotinha nova apaixonada. Ela rastejou aos meus pés, na hora que eu bem quisesse tê-la ia de volta. Só ligar - tenho certeza que o numero é o mesmo, que ela viria na mesma hora, sem nem pensar duas vezes. […] Pensei errado, amigo. Ela mudou de numero. De endereço, de cidade. E olha só pra ela hoje, tá linda, espetacular. Virou a mulher que eu não conseguir a tornar. E oh, ela conseguiu sozinha, sem a minha ajuda. E antes ela precisava de mim para tudo, eu era tudo pra ela, deixava-a em pé. Agora? É uma leviana. Sem coração. Bruta. Agora todos estão aí babando por ela; querendo-a, desejando-a, até você quer ela. Fui um completo idiota quando a deixei naquela calçada. Troquei a mulher da minha vida por uma noite de diversão, de curtição. E ela que sempre brigou comigo por beber, tá aí, embriagada. Espojando do seu lindo e perfeito corpo que por impaciência minha não pude conhecer, não soube esperar pelo seu tempo. Pode dizer: Eu não sou um otário por ter pedido uma mulher dessas? Bem que agora eu poderia estar com ela, na casa dela ouvindo as reclamações da sua mãe por eu querer sair de lá muito tarde. Até disso eu sinto falta, sinto saudade. Pior é saber que nada o que eu faça vai a fazer voltar pra mim. Mas tudo bem, eu já superei. Ou quase isso. Sabe do que eu também sinto falta? De quando ela mexia no meu cabelo e deixava todo bagunçado, eu ficava puto da vida. Mas depois ela vinha com aquela carinha linda de anjo e eu me derretia por inteiro. Fico me perguntando como pude ser tão tolo meu Deus. Agora amigo, sabe o que eu vou fazer? Vou pegar uma dessas gurias como ela. Vou encher a cara pra depois chorar. Porque ficar aqui a olhando de longe não vai adiantar, mas sabe… Eu só queria dizer algumas coisas pra ela se eu pudesse. Só que eu a amo e que sinto sua falta. Mas nem vou, não quero ficar por baixo sendo desprezado por a ex menininha besta que eu conheci. A minha menina. Eu ainda fico aqui me perguntando por que não vou ali em direção aquela mesa que ela está sentada com suas amigas. Tô aqui me moendo de tanta raiva desses idiotas que estão todos caidinhos por ela, a chamado pra dançar e pra pagar uma vodka. Eu bem que poderia ter dado o valor que ela merecia naquela época, mas como ela mesma me disse um dia desses: É tarde. (c-onspire)